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História e Cultura

História

Até à entrada na Idade Média, a história de Portugal e Espanha forma uma só, a da Ibéria. A chegada do Homem à Península Ibérica remonta a época do Homo Erectus. A estes recoletores sucederam os caçadores e o Neanderthal, aparecido há mais de 100 mil anos. Todas as culturas dos chamados Paleolítico Inferior, Paleolítico Médio, Paleolítico Superior e Mesolítico foram representadas em Portugal, com maior ou menor intensidade, da quais há diversos vestígios em Portugal, nomeadamente as gravuras de Foz Côa.

Portugal começou com um conde vindo do norte da Europa para ajudar a realizar a reconquista da Península, o qual casou com uma filha do rei de Leão e tomou conta do Condado Portucalense. Deste casamento, nasceu D. Afonso Henriques, que mais tarde decidiu desenvolver o condado para ser país independente, pelo que teve que se revoltar contra os partidários da dependência, naturalmente ligados a sua mãe.

Conseguiu a independência em 1140 e rapidamente expandiu a fronteira numa linha de perto de Barca de Alva até Lisboa, criando assim Portugal e depois alargando o território até abaixo do Tejo.

Quase um século depois o rei D. Afonso III, que antes vivia em Boulogne, e por isso foi cognominado “O Bolonhês”, veio ocupar o trono, tendo reorganizado o Estado e iniciado a intensificação das ligações com o norte da Europa, o que permitiu a seu filho D. Dinis, que entretanto tinha recebido de seu avô D. Afonso X, rei de Leão e Castela, como presente o Algarve, continuar a organizar o País e iniciar o desenvolvimento da nossa Marinha.

Cerca de 1380 a situação política complicou-se, pois o rei D. Fernando morreu, deixando uma filha casada com o rei de Castela, e o País dividido entre os partidários deste, que era a maior parte da nobreza, e os partidários de D. João, Mestre de Avis, e irmão bastardo do rei, que era apoiado principalmente pela burguesia de Lisboa e Porto, onde havia elevada percentagem de judeus sefarditas, e tinha excelentes relações com a Inglaterra.

Assim, foi o Mestre de Aviz o rei D. João I que, com estes apoios e a escolha de Nuno Álvares Pereira para chefiar o exército português, conseguiu derrotar o rei castelhano, garantir a independência do país e dar origem à dinastia de Avis, e como o desenvolvimento só se podia realizar para sul e poente, isto é, pelo mar, a estratégia então decidida foi a expansão marítima.

Começou-se por Ceuta, depois ao longo da costa de África e pelo meio do oceano Atlântico, Portugal foi alargando o seu território e o conhecimento das correntes e dos ventos que lhe permitiu nos finais do século XV, sob o comando de D. João II, conhecer todo o oceano do Norte e do Sul e a passagem para o oceano Índico pelo cabo da Boa Esperança.

Vasco da Gama chegou à Índia em 1498, com naus e caravelas, e, em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

Nas décadas seguintes foi estabelecido o Império do Oriente ligando Portugal até ao Japão, tendo inclusive chegado à Austrália, com a Marinha mais poderosa dessa época.

Portugal foi então um país central, a ponta de lança da expansão europeia e um dos fatores essenciais do renascimento europeu.

Mas, entretanto, após a morte de D. João II, a parte da nobreza que havia sido enfraquecida durante a guerra com Castela em 1386 aumentou o seu poder e conseguiu destruir a influência da burguesia, através da perseguição e da expulsão dos judeus, e assim instaurar uma cultura de desprezo ao mérito em favor do compadrio e do negócio imediato, que havia de perdurar e influenciar toda a vida nacional até aos tempos presentes.

Como consequência disto a gestão do reino foi-se deteriorando e o rei D. Sebastião fechou este ciclo com o desastre de Alcácer Quibir, a que se seguiu um período de 60 anos com reis espanhóis.

Recuperada a independência com a ajuda da Inglaterra e da França, Porugal retomou a exploração do Império, mas cometendo erros de gestão que não lhe permitiu participar no desenvolvimento europeu, gastando mais em consumo que em investimentos produtivos e desprezando a educação da população, inclusive da própria elite dominante altamente ignorante.

Tudo isto foi agravado pelo terramoto de 1755 e pelas invasões francesas no início do século XIX, que devastaram o país, ao que se somou a perda do Brasil, que se tornou independente já que a alternativa seria a capital do império passar para o Rio de Janeiro.

O século XIX acabou mal com os erros na gestão colonial que culminaram com o episódio do ultimatum da Inglaterra, seguindo-se o assassinato do rei D. Carlos e pouco depois a queda da monarquia, em 1910.

A República mudou a forma de acesso ao poder mas não a cultura. O pís encontrou-se em grande instabilidade política, dificuldades   económicas e sociais, acompanhadas pelo baixíssimo grau de instrução da maior parte da população.

Desta situação resultou o estabelecimento duma ditadura que durou quase 50 anos, que compensou o país com disciplina forçada e que permitiu evitar os desastres ocorridos na I Guerra Mundial e a participação na II, chegando nos anos 60 a atingir uma situação económica razoável.

A má gestão das colónias, somadas  à inadaptação face às mudanças provocadas pela evolução mundial, conduziram primeiro às guerras coloniais e depois à revolução de Abril de 1974.

Fonte:

http://www.uaisites.adm.br/iclas/pdf/historia_portugal.pdf

DN, http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2125907&seccao=Convidados&page=4

 

Cultura

Apesar de pequeno, Portugal é um país cheio de diversidade e rico em costumes e tradições.

Esta longa história reflete-se numa cultura particular que resulta do encontro de muitos povos que por aqui se estabeleceram.

Encontra-se nas aldeias e nas cidades, nos monumentos e nas tradições, onde se foram juntando influências que os portugueses aplicaram com criatividade. E o mar, sempre tão presente, também moldou a nossa personalidade e levou-nos além do continente europeu, permitindo aprender e partilhar com o resto do mundo.

A arte manuelina, os azulejos e o fado são expressões únicas e símbolos genuínos dos portugueses mas também um contributo para o Património Mundial. Só em Portugal, já foram efetuadas 18 classificações pela UNESCO, entre monumentos, paisagens e património intangível.

De norte a sul:

O Porto, cidade Património Mundial, é a grande porta de entrada e pode ser ponto de partida para uma viagem pela diversidade natural e cultural da região. É conhecido pelo vinho que daqui parte para todo o mundo, mas também pela Escola de Arquitetura, donde saíram os nomes de Álvaro Siza Vieira e Souto de Moura, ambos Prémios Pritzker. E ainda por um património que sabe combinar a antiguidade de igrejas e monumentos, como a Sé ou a Igreja de S. Francisco, com a contemporaneidade de edifícios marcantes como a Casa da Música, o Museu de Serralves e outros.

O rio Douro atravessa a região. Entra em Portugal apertado entre as ravinas e montanhas do interior  para percorrer toda a paisagem do Património Mundial onde se cultivam os vinhos do Porto e do Douro. Ali se cruza o vinho que segue até às Caves de Gaia e os cruzeiros que visitam a região.

Nesta região de montanhas e parques naturais, o património espalha-se por castelos, como o de Guimarães, ou por santuários e igrejas que no verão são palco de romarias. Ao lado de ermidas rurais encontramos o barroco do Norte de Portugal feito de granito e talha dourada.  Em cidades que souberam preservar a escala humana, como Viana do Castelo, Braga, Lamego, Chaves ou Vila Real, ou em solares e casas senhoriais, encontramos o português mais autêntico, aquele que gosta genuinamente de receber, de partilhar a sua mesa  e as tradições. No Porto e Norte de Portugal vive-se de forma natural a alegria e a gratidão por tudo o que temos e somos.

O centro tem características únicas que vale a pena descobrir. Por exemplo as Aldeias Históricas e os castelos que defenderam as fronteiras da nação. As Aldeias do Xisto e as vilas de casas brancas, como Óbidos, um tesouro entre muralhas. E as cidades, onde a modernidade se alia à tradição – Coimbra dos estudantes, Aveiro, entre a Ria e o Mar, e Viseu, Guarda e Castelo Branco, em que a arquitetura da pedra mantém traços de um passado imemorial.

Das montanhas destaca-se a Serra da Estrela, com paisagens a perder de vista e lagoas glaciares. Ou as Serras da Lousã, Açor e Caramulo, onde os trilhos pedestres e de bicicleta abrem caminho à descoberta da natureza. Mas aqui também se pode experimentar escalada, rappel, rafting ou canoagem, tal como no Geoparque Naturtejo, território preservado onde convivem várias espécies de aves e animais.

As águas cristalinas que brotam das nascentes termais equilibram corpo e alma. E as praias! Fluviais enquadradas por florestas, ou de mar aberto e batido no litoral atlântico, são certezas de frescura nos dias quentes de verão. E são também spots bem conhecidos dos surfistas de todo o mundo, que encontram ondas perfeitas em Peniche, e mesmo gigantescas na Nazaré.

Para confortar o estômago há sabores para todos os paladares. Queijos e enchidos, caldeiradas de peixe e leitão assado, ou o mel e os doces conventuais. Já os vinhos das regiões demarcadas elevam o espírito com distinção. São o produto dos saberes destas gentes, genuínas e acolhedoras que recebem o visitante com o que têm de melhor.

Na capital de Lisboa, podemos percorrer a quadrícula de ruas da Baixa pombalina que se abre ao Tejo na Praça do Comércio e, seguindo o rio, conhecer alguns dos lugares mais bonitos da cidade: a zona monumental de Belém com monumentos do Património Mundial, bairros medievais, e também zonas de lazer mais recentes ou contemporâneas, como o Parque das Nações ou as Docas. Seguindo a costa vamos encontrar spots de surf de renome mundial, mas também os palácios espalhados pela paisagem cultural de Sintra, Património Mundial. O fado, típico de alguns bairros da capital é mais uma expressão portuguesa também elevada a Património Mundial.

A amplitude da paisagem é entrecortada por sobreiros ou oliveiras que resistem ao tempo. Santarém é um miradouro natural sobre a imensidão do Tejo. Aqui e ali ergue-se um recinto muralhado, como Marvão ou Monsaraz, ou a antiguidade duma anta a lembrar a magia do lugar. Nos montes, casas térreas e brancas coroam pequenas elevações, os castelos evocam lutas e conquistas, e os pátios e jardins atestam influências árabes, que moldaram povo e natureza. No litoral alentejano, a paisagem é alta e escarpada, com pequenas praias abrigadas entre arribas, e muitas que são ideais para o surf. E também aqui há aromas de campo, as ervas de cheiro temperam peixes, mariscos e outros pratos regionais.

Foi do Algarve que os Portugueses partiram ao encontro de outros povos e culturas no século XV… e é um dos locais mais turísticos de Portugal pelo clima e praias.

Areais a perder de vista, limitados por falésias douradas, ilhas quase desertas que marcam a fronteira entre a Ria Formosa e o mar, ou baías pequenas, aconchegadas pelas rochas. O oceano em todos os tons de azul, quase sempre calmo e cálido, convida a banhos prolongados e à prática de desportos náuticos. Há ainda a serra, onde as pessoas vivem em harmonia com a Natureza e mantêm tradições que gostam de partilhar.

O Arquipélago dos Açores é composto por 9 ilhas. A Oriente, na ilha de Santa Maria, as praias são quentes e de areia clara, e os vinhedos que cobrem as encostas em anfiteatro lembram escadarias para gigantes. São Miguel, a maior ilha, encanta com as suas Lagoas das Sete Cidades e do Fogo. A força que a terra emana sente-se nos géiseres, nas águas termais quentes e nos lagos vulcânicos, bem como no saboroso “Cozido das Furnas” lentamente cozinhado no interior da terra. No Grupo Central, as Ilhas Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa dispõem-se harmoniosamente no mar azul por onde baleias e golfinhos espreitam. Na Terceira, Angra do Heroísmo, é Património Mundial, e também nas suas festas. O Faial é o fresco azul das hortênsias, a marina colorida pelas pinturas dos iatistas vindos de todo o mundo e o vulcão dos Capelinhos que, já extinto, lembra uma paisagem lunar. Em frente, o Pico, a montanha que nasce do mar com os seus vinhedos plantados em negros campos de lava. Em São Jorge, o destaque vai para as Fajãs e para o seu queijo, especialidade única e de sabor inconfundível. Graciosa de nome e de aparência, esta ilha verde tem campos cobertos de vinhas que contrastam com os seus peculiares moinhos de vento. Já no grupo Ocidental, na Ilha das Flores, deslumbra-nos a beleza das cascatas naturais e de lagoas escavadas por vulcões. Corvo, a ilha miniatura, tem no seu centro uma ampla e bela caldeira e atrai várias espécies de aves vindas não só do continente europeu mas também do americano.

No meio do Atlântico, as ilhas da Madeira e do Porto Santo são um refúgio de beleza natural. Entre o azul do mar e o verde-esmeralda da vegetação sobressai o colorido exótico das flores, num arquipélago em que dois terços são área protegida e onde se encontra a maior floresta laurissilva do mundo. As festividades ao longo do ano são ocasiões para apreciar os sabores tradicionais da gastronomia e ver a Madeira em festa, com destaque para os desfiles de Carnaval, a Festa da Flor, o Festival Atlântico e, sobretudo, o fogo-de-artifício do fim de ano.

 

Fonte:

Visit Portugal: https://www.visitportugal.com/pt-pt/experiencias/arte-e-cultura